Em função dos pedidos e sugestões de pessoal ligado a marketing e produção, reformulamos nosso site. Esperamos que desfrutem…








Nesse segundo álbum, sucessor de “Libertae” (2004), os gaúchos do Spartacus apresentam uma sonoridade Hard’n’Heavy com cara de NWOBHM. Isso não é por acaso, já que a maior parte das músicas foram compostas nos idos da década de 80, quando diversas bandas brasileiras borbulhavam as mesmas referências. No caso, o grupo está completando em 2015 três décadas de uma carreira que começou através da segunda edição da lendária coletânea gaúcha “Rock Garagem”.

Entre idas, vindas, e, trocas de integrantes, inclusive do renomado baterista sul-africano radicado no Brasil, Aquiles Priester (Noturnall, Primal Fear, Hangar, ex-Angra, Freakeys e Di’Anno), o grupo retorna após um grande intervalo em relação ao primeiro álbum, contando agora com a produção e mixagem bem regulares de Sebastian Carsin, feitas nos Estúdios Hurricane, em Porto Alegre . “Imperium Legis” possui uma gama muito boa de composições, todas cantadas em português, que não se destacam por técnicas abusivas e egocêntricas de seus músicos, mas sim pelo bom gosto apresentado pelos mesmos. Ou seja, M Canto (vocal), Victor Petroscki (guitarra e teclado), Guilherme Oliveira (bateria) e o baixista fundador Marco Di Martino (principal compositor) jogam a favor do time. O vocal de M Canto é bem agradável e em certos momentos lembra o de Tavinho Godoy (Metalmorphose, ex-Azul Limão).

Um destaque interessante fica por conta da capa do álbum, que nada mais é do que uma adaptação da obra “Gladiadores” (1874) de Jean-León Gérôme, e da contracapa também baseada em outra obra do artista, chamada “Ave Caesar”. Em relação às músicas que integram “Imperium Legis”, vale mencionar a pesada “Nas Trevas da Insanidade”; “Noite Sem Lua”; A ‘hardona’ “Nas Leis Do Infinito”, que lembra um pouco a finada banda paulistana Cavalo Vapor e que tem um riff bem legal de Victor; E, entre outras, “Velho Rei”. Tomara que esse ótimo álbum traga, finalmente, o devido reconhecimento ao Spartacus.

Leandro Nogueira Coppi

Fonte: http://www.brasilmetalhistoria.net/2015/03/spartacus-imperium-legis-2015.html








O novo álbum da banda gaúcha SPARTACUS, “Imperium Legis”, lançado no começo do ano, tem tido uma excelente aceitação pela imprensa e por diversos admiradores, marcando assim trinta anos de estrada com um lançamento marcante. Gravado no Estúdio Hurricane em Porto Alegre, este segundo registro do SPARTACUS mostra a banda fazendo seu tradicional Heavy Metal tradicional sem soar datado ou repetitivo, usando e abusando de timbres pesados e grande desenvoltura. Sebastian Carsin, requisitado produtor, foi o responsável pela produção e mixagem do trabalho, e como ele mesmo comentou, “trabalhar no novo CD da Spartacus foi um desafio!”, explicando o motivo: “não só pela expectativa que a banda tinha, como levar em frente minha ideia de que o CD tivesse uma sonoridade atual sem soar modernosa, mas não tão clássica que aparecesse old school e datado… O resultado, ao meu ver, ficou fantástico, e o mais importante… cantado em português!”.

“Imperium Legis” é composto de músicas que foram significativas na história da banda, mas que não tiveram oportunidade de registro fonográfico em sua época inicial de exposição, nos anos 80/90. Além desses temas, o disco também traz também composições de anos recentes com a marca característica da sonoridade que a banda vem desenvolvendo ao longo deste milênio. Todas as músicas têm arranjos de todos os integrantes, respeitando a composição e estruturação original do tema, além de incrementações e até pós-composições em trechos com elementos sintetizados inseridos pelo guitarrista Victor Petroscki.

Os responsáveis pela gravação, Marco Canto (vocal), Victor Petroscki (guitarra), Marco Di Martino (baixo) e Guilherme Oliveira (bateria) imprimiram a marca registrada da banda em onze faixas de igual destaque, e conforme resenha publicada no site Brasil Metal História, ”Imperium Legis” possui uma gama muito boa de composições, todas cantadas em português, que não se destacam por técnicas abusivas e egocêntricas de seus músicos, mas sim pelo bom gosto apresentado pelos mesmos. Leia o texto completo aqui: http://goo.gl/6oy0yg

E, além de comercializar o CD fisicamente, há a opção de compra via CDBaby, através do link http://www.cdbaby.com/cd/spartacus2 ou pelo e-mail wargodspress@gmail.com. As músicas estão disponibilizadas para streaming no Soundcloud oficial da banda, em http://goo.gl/Lct7TF.

Fonte: http://whiplash.net/materias/news_805/220550-spartacus.html








Num infindável bate-papo, a história e o futuro da banda de Metal mais antiga ainda em atividade no Rio Grande.

Por Ulisses Costa

O caro leitor tem tempo? Caso sim, vá em frente. Esta é a entrevista mais longa da história do HeavyRS. Tão longa que, por motivos de espaço no site, tivemos que cortar alguns pedaços fora. Há motivos para esta amplitude. A Spartacus é, hoje, a mais longeva banda do Estado, fazendo seu aniversário de 20 anos de fundação (com paradas e retomadas) exatamente neste ano de 2005. Ou seja, o conjunto viu passar fases importantes do Metal gaúcho e viveu num tempo radicalmente diferente do que presenciamos hoje. Não é para menos que o baixista Marco Di Martino, mentor do grupo, tem muita coisa para falar – e isso sem contar a polêmica das suas letras serem escritas em português desde o início da carreira (coisa que, até alguns anos atrás, era quase heresia). Portanto, esta não é só uma entrevista: é um levantamento histórico e também um grande debate sobre o Heavy latino-americano.

Pois Marco conversou sobre tudo e mais um pouco: do (extenso, muito extenso) passado da Spartacus, do recente debut, Libertae, da sua opinião sobre fazer letras em português, do cenário metálico argentino e gaúcho, de quando tocaram “forró” em um show lá pros lados do Alegrete e do gênio forte de um ex-integrante chamado Aquiles Priester – sim, aquele baterista que hoje toca naquela banda… Qual é mesmo o nome… Ah, claro, Angra. Para arrematar, comentou a atual situação do seu grupo, com as baixas de dois integrantes (Victor Petroski e Erick Lisboa) e garante: a banda não acabou e vem mais coisa por aí. Chega de papo. Não adianta enrolar o que já é grande. Relaxe e goze:

HeavyRS – A Spartacus foi formada há exatos 20 anos em Porto Alegre, o que dá à banda o privilégio de ter vivido em épocas bem diferentes para o Heavy Metal. A primeira pergunta tem a ver com esta experiência: quais as diferenças entre o cenário gaúcho dos anos 80 e o cenário do Séc. XXI?

Marco Di Martino – Investir em Rock em 1985 era novidade. Bandas gaúchas sendo lançadas em vinil e tocando no rádio também. A platéia era bem mais interessada do que hoje, era mais uniforme em razão do Rock e do Pop não estarem tão fragmentados e acompanhava a efervescência do momento. Por outro lado, havia um número bem menor de bandas do que hoje em dia, os lançamentos eram muito difíceis, pois não havia CD, e quase ninguém sabia gravar Rock. Gravar era bem mais complicado e caro: era tudo analógico. Hoje, temos tudo isso que eu comentei acima ao contrário. Há aspectos positivos e negativos…

HeavyRS – Apesar de terem iniciado há tanto tempo a banda, vocês pararam as atividades no início dos anos 90, só retomando vários anos depois. O quer aconteceu para a Spartacus ter parado e o que possibilitou a reorganização da banda?

Marco Di Martino – Nosso line-up de 1991 era uma idéia interessante, com gente interessada, mas musicalmente não respondeu a nossas expectativas. A Demo 1991 e os shows não tiveram o resultado esperado. No começo de 1992, estávamos com problemas de unidade dentro do grupo e sem a harmonia desejada para poder resolvê-los em comum acordo. Como sou idealizador do projeto Spartacus e estava com minha vida ainda por definir-se do ponto de vista estrutural (emprego e universidade), somei as coisas e expus que não podia continuar o projeto. Anos depois, já com os problemas estruturais em fase de solução, e encorajado por um pessoal diferente que queria rearmar a banda, comecei a arquitetar o retorno.

HeavyRS – Uma pergunta inevitável: até o lançamento recente do primeiro álbum, Libertae, os únicos registros sonoros do trabalho de vocês são as coletâneas Rock Garagem II, Rock Soldiers Vol. 6 e Good Music Rock Festival. Por que demoraram tanto para lançar um álbum? E por que não fizeram uma demo nestes anos todos?

Marco Di Martino – Fazer demos através de CD, hoje em dia é fácil, mas a partir de fitas cassete, como nos anos 80 e começo dos 90, era complicado, perdia-se qualidade demais. Tivemos períodos que tiveram suas demos sim, mas cumpriam estritamente o papel de demos, eram unicamente promocionais. Não as comercializávamos, pois tínhamos um padrão de exigência rígido que nem sempre as demos satisfaziam e a falta de estabilidade na formação da Spartacus impossibilitava qualquer passo além. A gente explica isso no encarte do Libertae. Um registro de demo nossa pode ser conferido em crítica pela Rock Brigade ainda nos anos 80, vide link Histórico de nosso site.

HeavyRS – Recentemente, o batera Erick Lisboa e o guitarrista Victor Petroscki anunciaram que estavam fora da Spartacus e que isso estava acertado desde o lançamento de Libertae. Mesmo assim, a divulgação do CD não foi interrompida. Qual a situação da Spartacus hoje? O que podemos esperar no futuro?

Marco Di Martino – Antes de mais nada, gostaria de comentar que o Erick e o Victor já saíram da banda e voltaram em outras oportunidades sem que eu ou o Canto (Marco do Canto, vocalista) ficássemos sabendo. Claro que onde há fumaça há fogo: o Victor tinha viagem programada para retornar aos EUA desde o ano passado. Contudo, este ano a coisa passou do certo para o incerto: ele pode viajar a qualquer momento. Quanto ao Erick, ele sempre teve um projeto paralelo com a noiva que agora anda pendurado. Fora isso, ele começou a tocar também com gente da Hard Working Band. Nosso trato era fazer o CD, seu show de lançamento e mais alguma coisa. Fizemos. Depois, em função de questões pessoais, tanto Victor quanto Erick poderiam ou não voltar a atuar pela Spartacus. Assim, estamos sondando gente para o caso da ausência deles acabar sendo permanente. Uma vez tenhamos isso definido, continuaremos a divulgar o Libertae nos shows e estudaremos o repertório que integrará o próximo CD. Músicas e gente para pôr isso em prática não faltam.

HeavyRS – Algum problema com o fato das letras do disco serem em português? Tem gente que reclama? Ou isso trabalha como diferencial?

Marco Di Martino – Por incrível que pareça ao cantarmos em nosso próprio idioma somos considerados extravagantes! Parece piada de português, com personagens brasileiros… Eu me sinto como se estivesse no Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, sendo considerado pervertido por querer fazer algo absolutamente natural. É claro, acaba sendo diferencial… Sim, enfrentamos preconceito de grande parte do público brasileiro de Metal. A maioria muda de idéia quando nos escuta. Só que até o pessoal constatar que focinho de porco não é tomada, rola uma boa discussão. Claro que se a pessoa decide que não vai achar nosso som legal antes de escutar, não adianta nem conhecer. Acredito que a raiz da questão esteja no fato de que a referência de bandas de Heavy Metal que cantam em português vem dos anos 80, uma época em que se estava apenas começando a trabalhar com Heavy no Brasil – tanto técnica quanto artisticamente. Em cima disso, temos o fato de que Heavy Metal Rock requer um certo critério para escrever (assim como para gravar) que a maioria das bandas e produtores da época não levou em consideração quando lançou a versão tupiniquim do gênero no país. Resultado: queimou o filme e não colou.

HeavyRS – Esta questão de em qual língua cantar, em inglês ou no idioma natal, foi muito debatida no cenário da América Latina na época que a Spartacus surgiu. Na Argentina, o espanhol venceu – vide-se bandas como Rata Blanca. Já no Brasil, prevaleceu o inglês. Como vocês vivenciaram esta discussão? Imagino que, por serem defensores ferrenhos do português, vocês tenham se envolvido em alguns “bate-bocas” sobre o assunto…

Marco Di Martino – Na Argentina há uma tradição de Rock bem mais forte do que no Brasil. Lá o Rock pesado é popular no pulmão cultural daquele país – Buenos Aires. O desnível educacional entre as pessoas é bem menor também. De modo geral, se lê mais do que aqui. Conseqüentemente, há mais informação, as pessoas discutem mais, e os posicionamentos são mais valorizados também. As pessoas têm uma noção de que devem influenciar dentro de seu país e, portanto, cantam em seu próprio idioma. Logo, se alguma banda fizer Rock em inglês na Argentina, terá um respaldo sim, mas será mínimo, impulsionado pelo exemplo do êxito internacional das bandas brasileiras que cantam em inglês. Mesmo assim, o Rata Blanca também é exemplo de êxito internacional e canta em espanhol… Desavenças em relação a essa diferença com as bandas locais não têm acontecido. Todo mundo canta em inglês no Heavy local e nunca tivemos nenhuma guerra, pelo menos declarada, por não adotarmos essa postura. De nosso lado, longe estaria forçarmos as bandas a fazer as coisas como nós fazemos. Isso é uma visão particular de cada banda e um direito de escolha. Sempre quisemos soar de forma natural, como as bandas de fora que escutávamos soavam. Mas uma coisa é ter influência e outra é querer ser igual sacrificando o que torna a gente diferente. Spartacus sempre teve influências, mas sempre soube distinguir entre o que é seu e o que é dos outros. Eu não comporia em português se estivesse morando com a banda nos EUA. Se estivesse vivendo em Buenos Aires, faria tudo em castelhano. No Brasil, nós não poderíamos cantar em uma língua que não fosse o português, e ainda assim estamos conscientes de que muita gente não entende o que a gente quer dizer.

HeavyRS – Vamos falar um pouco sobre o disco. Neste tempo todo de estrada, creio que tu, Marco, compuseste muita coisa e, ouvindo o CD, dá para perceber que umas músicas parecem ser mais modernas, mais maduras, enquanto outras parecem ser mais “ancestrais”, por assim dizer. Qual é a música mais antiga e a mais recente que aparecem em Libertae? Houve faixas que vocês gravaram e que ficaram de fora?

Marco Di Martino – É, tu tens razão, o CD comporta músicas de épocas diferentes. “Porque Deveria Saber” parece ser mais velha, mas não é. “Seguidores da Eternidade” é o tema mais antigo, apesar de ser daqueles temas que não parecem envelhecer nunca. Ele foi trazido e adaptado de uma banda meteórica que eu tive um ano antes da Spartacus e que nunca chegou a se apresentar, a Liga Metálica. O cara que compôs o projeto original da música chama-se Lauro Levandovski, mas eu acabei remodelando e reestruturando coisas, rescrevendo a letra e passando a ser co-autor do tema. Hoje, o Lauro toca na Thomas Butterfly que nada tem a ver com a gente. O tema mais novo é o “Libertae”, que mostra bem o direcionamento que estamos tomando. Já entramos no estúdio com o número de músicas definidas para aquele momento. Não há músicas que ficaram de fora. Há versões diferentes que não colocamos.

HeavyRS – Há previsão de divulgar Libertae fora do Brasil?

Marco Di Martino – Antes de ir a São Paulo eu já havia ido a Buenos Aires. Quem está lá já pode adquirir o Libertae na loja e selo Volumen 4, que é nosso distribuidor lá. Estou acertando envio de material nosso, inclusive vinil, para Alemanha. O responsável pelo site www.metaleros.de (página alemã especializada em Heavy Metal latino-americano) que adorou nosso trabalho. O problema é que a banda não tem produtor e nem pessoas responsáveis por seus negócios além de mim, o que faz com que as coisas andem muito devagar.

HeavyRS – Percebe-se que os temas das músicas de Libertae às vezes tendem para uma crítica política e social. Falar nisso é um trabalho complicado. Como tu fazes para que as letras não caiam no panfletário, no manifesto de esquerda puro e simples?

Marco Di Martino – Acredito que o Rock tenha que tender para o anárquico. É música de desconfiança social… Ou seja, não poderia recomendar poder na mão desse ou daquele. Partidos políticos foram as formas de articulação encontradas para organizar nossa sociedade, mas infelizmente eles não vêm sendo confiáveis ao longo da história. No final de tudo, todo mundo é parecido. A gente busca fugir de identificações desse tipo. Em se tratando da forma como as letras surgem, os objetivos não são previamente determinados. Algo do tipo: essa música vai falar disso e esta outra daquilo. Eu até que gostaria, pois seria mais prático, mas depende da frase que brotar. A partir daí, o sentido e o contexto começam a se delinear. Infelizmente nosso processo de composição das letras vem com inspiração e isso não é prático. Ossos do ofício. As letras trazem uma percepção de mundo e devem combinar com a música, caso contrário incorre-se no perigo do ridículo.

HeavyRS – Na parte instrumental, me causou forte impressão a sofisticação da guitarra, além do conjunto em si, que consegue fazer um som muito bem trampado. Tu não achas que, de tão aprimoradas que soam as músicas, dizer que vocês tocam Heavy Tradicional não é simplificar um pouco as coisas? Eu pergunto porque este é o rótulo que vocês utilizam para classificar a estética da Spartacus quando alguém faz aquele questionamento do tipo “mas o que que vocês tocam mesmo?”.

Marco Di Martino – O projeto da Spartacus é para fazer Rock pesado (gosto de dizer Rock’n’ Roll) com uma certa característica. Se as pessoas quiserem colocar outras definições, tudo bem, contanto que não nos deixem de chamar de Rock. O dia em que alguém disser que Spartacus não é Rock vai dar briga. Esta sofisticação instrumental a que tu te referes é o caldo que cada músico que participa da banda cria. Não é algo da proposta ter sofisticação, mas isso é bem-vindo quando ajuda a deixar o trabalho nos moldes pretendidos, como foi o caso.

HeavyRS – Vocês já se apresentaram em locais tão distintos como o Acampamento da Juventude numa das edições do Fórum Social Mundial e o agora desativado Teatro do Armindão, em São Leopoldo. Qual foi o show mais estranho que vocês já fizeram?

Marco Di Martino – Bah, da minha parte foi em 1988, em Tapes, em um tal de Salão Paroquial. A Gladiator (um dos primeiros expoentes do Metal Extremo gaúcho), que anos mais tarde lançaria disco, estava junto. Isso chegou a me render uma demo legal que desapareceu e duas redações para faculdade, uma delas em inglês. O nosso guitarrista da época, o Márcio Massa, perdeu as botas literalmente falando. Musicalmente, para nós foi incrível, porque o público nos adorou e era a primeira vez que assistiam a uma banda de Heavy Rock. Não sei se a Gladiator opinaria da mesma maneira (risos)… Nunca comi um arroz-com-galinha tão muquirana. Nos apresentamos com o nome de Banda Rock Garagem II, para não queimar o filme na cidade, que teria vindo de São Paulo (risos)… Zorra total. Mais recentemente, em 2001, acho que um show estranho foi em Alegrete. O cara que nos levou teve ótima iniciativa, mas parte do público não queria ver bandas tocarem. Era uma discoteca, um lugar careta. Em certa altura do show, alguns começaram a pedir que a gente tocasse um forró. A gente disse que tocaria um. De forma enfurecida, lascamos “Quando A Chama Faz Arder”, quarta música do nosso CD (risos). Depois dissemos para eles que aquele era o nosso forró…

HeavyRS – Alguns músicos famosos já passaram pela Spartacus. Um dos bateristas, por exemplo, foi ninguém menos que Aquiles Priester, que hoje toca no Angra e tem renome internacional no meio Heavy Metal. Outro é Alexandre Barea, que integrou os Cascaveletes. Isso não ajudou a abrir mais portas para vocês?

Marco Di Martino – A simples menção do nome desses ex-integrantes provoca interesse, principalmente o do Aquiles, em função da projeção que ele vem tendo desde que entrou para o Angra. Além do Aquiles e do Barea, também tivemos o Ivan Zukauskas que nos anos oitenta integrava o Astaroth, o ponta-de-lança do Rock pesado gaúcho naquela época; e, mais recentemente, o nosso ex-vocal, o Ângelo Primon, que vem se destacando no campo da música instrumental. Para nós tudo isso acrescenta. Qualquer associação envolvendo nomes que representem qualidade traz inegavelmente benefícios para imagem da banda e fazem-na mais digna de atenção.

HeavyRS – O Aquiles Priester tem fama de ser um cara meio fechado, de pouca conversa. Uns dizem que ele é arrogante mesmo. Isso confere na relação de vocês enquanto ele tocava na banda?

Marco Di Martino – É um cara de gênio forte. Acho que isso é ponto pacífico. Chegava a conversar com ele sobre isso quando ele ainda estava na banda e ele admitia. Da pouca conversa me falaram lá em Buenos Aires há algum tempo, mas isso não confere com a convivência que ele tinha com a gente, basta ver o que temos registrado em entrevistas da época (rádio, televisão e bastidores). No caminho da conquista, muitas vezes entramos em choque com as adversidades. Cada um de nós tem sua forma de vencer as dificuldades, mas essa forma de vencê-las, por “n” fatores, nem sempre agrada aos demais. Eu e o Aquiles, por exemplo, somos totalmente diferentes na maneira de conceber certas coisas. Sempre fui simpatizante da estética e pensamento da contracultura de começos dos 70, por exemplo, coisas que naquela época soavam estranhas dentro do universo que o Aquiles queria conceber.

HeavyRS – Apesar do passado de vocês render muitos temas para a gente conversar, é importante frisar que vocês visualizam um futuro para a banda. Quais são os planos daqui por diante para a banda e para a divulgação de Libertae? Há alguma turnê sendo planejada?

Marco Di Martino – Estamos ainda em fase de divulgação do CD, as matérias ainda não saíram em revistas e o CD não está devidamente distribuído. Acredito que, após isso, poderemos ter alguma posição sobre o que pode ou não acontecer. De qualquer forma, como disse antes, não há, no presente momento, produtores envolvidos conosco.

HeavyRS – Para finalizar (ufa!), deixa aqui o teu recado para o público headbanger gaúcho.

Marco Di Martino – Muito obrigado por terem lido a entrevista e espero poder encontrá-los em algum show por aí. Esperamos que a entrevista possa incentivá-los a adquirir nosso CD e que o mesmo esteja no padrão dos apreciadores do bom Rock que visitam este site. Gente, não esqueçamos que, embora muitos queiram, Heavy Metal não é moda. Não é passageiro. É Rock ‘n’ Roll na quintessência tocado de uma maneira que a gente não pode abrir mão. Se não dá dinheiro, foda-se!! Não é por isso que a gente toca em banda de Heavy Rock. Se for, caiam fora!! Se a gravadora não quiser, azar é dela!! Se não dá para conseguir grana tocando, trabalharemos em outra coisa para botar a coisa de pé. Rock é sagrado, principalmente se for de aço. A gente não profana, cultua. Seria muito legal se a gente pudesse apurar o senso crítico e se ligar para não acabar entrando no embalo de gente empreendedora que quer que tudo seja mercadoria antes de qualquer coisa. Vamos conceber um mundo melhor e verdadeiro. Long Live Rock’n’ Roll!!! Death to the false Metal!! www.spartacus.mus.br.

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Quem nunca ouviu falar mais especificamente sobre o metal gaúcho, não saberá que a banda Spartacus foi uma das primeiras bandas a surgir no estado em meio aos anos 80. A banda que tem como característica o heavy tradicional com letras em português, ficou parada por 8 anos, e em 2000 voltaram a ativa já com o planejamento do lançamento do primeiro cd. Conversamos com o fundador da banda, Marco di Martino (baixista), que nos contou mais sobre toda a carreira dele ao lado do Spartacus.

BRAZIL METAL: Primeiramente, como foi a idéia de “batismo” da banda com o nome de Spartacus.
MARCO: Em janeiro de 1985, fui convidado p’ra remontar uma banda chamada “Pesadelo”. Disse que toparia, desde que o nome fosse outro. Inicialmente eramos um power-trio, buscando membros para completar a banda. O guitarrista (Miguel – que posteriormente integrou a banda Atraque) teve a idéia do nome e o batera (Alexandre Barea – que mais tarde integraria a banda Cascaveletes) achou muito interessante e sugeriu. Topei.

BRAZIL METAL: Conte-nos mais um pouco da história da banda, especialmente como tudo começou lá nos anos 80′.
MARCO: Recém havia retornado da festa do cursinho vestibular… todo pintado. Tocou o telefone. Era um cara que queria ser o produtor da Pesadelo dizendo que Eduardo Urso do Astaroth (a banda de Heavy Metal mais importante do RS nos anos 80) havia me recomendado. O power trio durou três meses. O pessoal decidiu que o negócio deles era mesmo o thrash metal da Pesadelo. Spartacus existiria para ser uma banda de heavy tradicional. Fui procurado pelo guitarrista Ricardo “Malcolm” Aronne depois disso que se entusiasmou com o projeto e queria colocar Spartacus em prática. Rolamos um som com uma dupla – o guitarrista César Proença e o baterista Ronaldo Gonçalves – que estava insistindo para que tocássemos juntos. Confesso que não levava fé em ninguém ali. Estava enganado. Logo ao começarmos a rolar Battle Hymn do Manowar percebi que a coisa funcionava. Só faltava o vocal – Marco Canto – que chegaria pouco antes da gravação da coletânea que nos lançou: Rock Garagem II.

BRAZIL METAL: As letras da banda sempre foram em português, ou vocês já tiveram alguma música em inglês?
MARCO: A proposta da banda sempre foi em língua portuguesa. Queremos que as pessoas para as quais tocamos possam entender e sentir na hora o que dizemos, sem ter que ir a um dicionário bilíngüe… Temos alguma coisa em inglês para o caso de algum lançamento em países onde o inglês seja língua popular. Mas isso seria depois de muita coisa…

BRAZIL METAL: Como está o nome do Spartacus dentro da cena gaúcha de metal? E fora do estado, vocês possuem algum reconhecimento?
MARCO: Aqui no Rio Grande do Sul, quem conhece heavy metal gaúcho geralmente já ouviu falar de Spartacus, principalmente o público mais antigo (isso vale também para a Imprensa). O nome geralmente é associado a uma boa crítica. A verdade é que fizemos (e continuamos a fazer) parte da história do estilo aqui no RS. A coletânea Rock Soldiers VI está levando nossa música também para outros estados, visto que é uma coletânea que possui bandas de muitas regiões brasileiras. Em Manaus, por exemplo, o pessoal anda pedindo bastante para que a rádio Fm do Povo rode o tema que gravamos na coletânea. Porém, ainda não começamos a divulgação de Spartacus fora do RS. Isso virá depois do CD.

BRAZIL METAL: Fora do Brasil, o nome Spartacus já foi divulgado por exemplo no Japão, EUA ou Europa?
MARCO: Não nos esforçamos ainda para isso. Entendo que essa seja outra etapa. Spartacus pretende fazer as coisas de dentro para fora, ou melhor, de próximo para distante. Após o CD tudo ficará mais claro. A maior probabilidade é a de tocarmos em Buenos Aires, dado o interesse de alguns produtores de lá. Devido a minhas andanças naquele país, tive algumas entrevistas em fanzines que já me renderam contatos com Cuba ou Espanha. O pessoal da Argentina já prestigiou várias vezes o trabalho de Spartacus nas diversas ocasiões em que fui entrevistado e que rodaram nossos temas por rádios locais.

BRAZIL METAL: A banda que vem formada a mais de 15 anos nunca lançou um cd. Fale-nos sobre as coletênas que a banda vem participando.
MARCO: A banda começou em 1985 e terminou em 1992, retornando em 2000. Portanto, não teve nada parecido com 15 anos de estrada. Em 1985, quando começou, teve o impulso da coletânea Rock Garagem II (relançada como CD em 1999) que tinha bandas de vários estilos do rock e uma divulgação considerável no RS. Houve muitos problemas de formação após isso e momentos de altos e baixos. Tivemos uma matéria de duas páginas coloridas pela revista Metal nº 45 em 1988 e um show memorável no final do mesmo ano em POA. Com a última formação, antes da separação em 1992, chegamos a gravar alguma coisa para um lançamento que não saiu, pois nem a banda e nem a gravação deram o resultado esperado. Hoje em dia, dada a nova realidade em que Spartacus se insere (formação, vidas mais definidas, advento do CD, Internet, etc.) as coisas vêm se realizando. Estamos na abertura da coletânea Rock Soldiers VI lançada em agosto último e que tem bandas de todo o país. Fomos selecionados entre as 10 melhores de 270 bandas de diversos estilos de rock em um festival que resultará em CD no final deste ano – o Good Music Rock Festival. O evento teve a apresentação das bandas classificadas na casa de shows mais importante do RS, o Opinião. E o principal: a banda tem data marcada para o início da gravação do CD exclusivo e oficial.

BRAZIL METAL: Este cd que está sendo gravado, já tem alguma informação que possa ser adiantada?
MARCO: A idéia é não fazê-lo longo. Que gire em torno de oito ou nove músicas. Produção que possibilite um preço bastante acessível e uma popularidade garantida. O estúdio será o mesmo em que a Hangar gravou o primeiro disco e terá também a participação do mesmo técnico.

BRAZIL METAL: A formação do Spartacus sempre foi a mesma, ou vocês já passaram por mudanças de formação?
MARCO: Esta pergunta começou a ser respondida na pergunta 6. O troca-troca na formação foi o responsável pela ausência de material da banda no mercado. O que se pode dizer de bom é que as formações de Spartacus tiveram gente muito boa e que já fez ou faz história no metal nacional. Veja o caso do Ivan Zukauskas que tocou conosco em 1990, ele foi guitarrista do Astaroth, uma banda importantíssima no metal gaúcho; ou o caso do Aquiles Priester que tocou conosco na última formação antes da parada em 1992 e que hoje toca no Angra. Nossa formação atual conta comigo, Marco Di Martino no baixo/letras, Marco Canto nos vocais, Erick Lisboa na bateria e Marcelo Riccardi nas guitarras. A música Luz é da época do guitarrista Victor Petroscki que deixou a banda para viver nos EUA por um tempo.

BRAZIL METAL: As duas músicas que a banda vem trabalhando atualmente são Luz e Depois da Tormenta. O que vocês gostariam de dizer destas músicas para os fãs?
MARCO: Luz é um tema que trata da estupidez das pessoas. Do medo de conhecer as coisas. Da acomodação que constrói medíocres. Luz trata do problema da difícil aceitação da verdade. As pessoas tentam fugir, mas muitas vezes não há escapatória. Musicalmente ela tem a ver com o estilo de uma banda que gosto muito e que quase ninguém conhece: Titan Force. Ex-banda do vocalista do Jag Panzer na virada dos anos 80 para os 90. Depois da Tormenta versa sobre conseguir montar tudo, depois de ter perdido tudo. Tem a ver com a recuperação de Spartacus. Musicalmente penso que tem a ver com Dio e com coisas líricas do estilo.

BRAZIL METAL: Como estão sendo os shows do Spartacus? Além de Porto Alegre, vocês planejam shows para outras cidades e estados?
MARCO: Apesar de sermos considerados “diferentes” a receptividade do público para com nossa proposta aqui em Porto Alegre tem sido boa. Estivemos pelo interior, chegando na fronteira com a Argentina. Foi muito legal. As pessoas tem curtido bastante. Agora estamos mais concentrados na gravação do disco. Após isso, virá a etapa da divulgação do CD. Aí, vamos cair p’ra valer na marcação de shows em todos os lugares possíveis, dentro e fora do RS.

BRAZIL METAL: Qual é o estilo que vocês acham que o som do Spartacus se encaixa melhor: hard rock ou heavy metal tradicional?
MARCO: Acho que no nosso caso seria um heavy metal tradicional com um temperinho hard que as vezes é maior outras vezes é menor.

BRAZIL METAL: O que vocês acham da atual cena de metal no Brasil? E qual a opinião sobre a do nosso estado?
MARCO: Vou te pedir desculpas e confessar que conheço pouquíssimo do que rola no resto do país. O aumento das atribulações na vida da gente muitas vezes faz com que tenhamos que abrir mão de algumas coisas para podermos fazer outras. No meu caso, muita coisa tem ficado p’ra trás. Não vivo do rock e sim para o rock e isso custa caro…Trabalho muito p’ra pagar o preço. Confesso que me abate muito o fato de não conhecer ou ouvir falar de outras bandas de metal tradicional em língua portuguesa dentro do Brasil. Há muitas bandas boas por aqui. Volta-e-meia a gente se depara com alguma banda que nunca ouviu antes e que é um arraso sonoro. Mas observo que o pessoal anda muito interessado em viajar p’ra fora e fazer música p’ra quem não mora aqui. Não tenho visto as bandas falarem em conquistar o país e mudar a cena musical local. A gente nota isso já na escolha da língua…

BRAZIL METAL: Boa sorte a este cd que deverá vir para arrasar. Deixe uma mensagem para os visitantes do site Brazil Metal Law.
MARCO: Pessoal, continuem prestigiando o Brazil Metal Law! É ótimo poder ter alguém escrevendo sobre aquilo que move a vida da gente: o rock na verdadeira expressão da palavra – heavy metal. Spartacus agradece bastante a oportunidade de poder divulgar sua proposta por aqui. Aguardem novas.