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L I B E R T A E  (Dez/2004)

 

A MÁSCARA

Quando a máscara cai ele vê que não mais sobrevive
a beleza que outrora testemunhou sua ascensão
Quando a máscara cai
tudo se esvai
só o que resta é a emoção
de saber que o futuro negligenciou sua ilusão

Ele envelheceu
sua face caiu ante o tempo
suas aspirações ludibriaram suas intenções
e ele hoje desvia seu cinzento olhar
de sua condição, preferindo esquecer
tudo que agora ele compreendeu

Retornar…
Desvendar a essência
Se lograr, conquistar
conhecerá sua liberdade

O passado irrompeu
As imagens trouxeram-lhe pranto
O amor que se foi
A tristeza de quem ele abandonou
Suas conspirações, o desprezo e as paixões
Não há como evitar…
impedir que o passado
siga atormentando seu coração


SEGUIDORES DA ETERNIDADE

Desolação cerca o mundo esquecido a meu redor
Solitários entristecidos anseiam por morrer
Revelação de algo oculto pela consciência
São Seguidores da Eternidade, vejo-os enlouquecer

Isolados do Universo
Seguidores de um Deus

Ingratidão de seres construídos pelo aço
que pela máquina inquisitora também vão perecer
A solidão mostrou-me o caminho da revolta
e os Seguidores da Eternidade vejo enlouquecer

Isolados do Universo
Seguidores de um Deus

Eles sonham em voar nos céus
Flutuar em próprios ideais
Suas preces vão cobrir com véus
Seu desejo incapaz

Clamam por não existir

À imensidão, num plano esquecido do Espaço,
os anjos brindam a liberdade , fogem de seu sofrer
Em realidade seu passado esquecido continua
e a caminho da eternidade vejo-te enlouquecer


DEPOIS DA TORMENTA

Todos os ventos sopraram um amargurar
Quando o que tinha perdeu-se e restou nada mais que esperar
Toda a paixão que um dia brotou sem cessar
Toda a razão que trazia a vida sem vacilar

E depois que passou
Uma dor que brotou não deixou mais em paz descansar
E depois que acabou
O que tinha no peito talvez não pudesse encontrar

Todos os templos diziam poder superar
Todos queriam que não mais pudesse voltar a ser
Todas as armas distantes p’ra poder usar
Todos os cães à espreita podendo atacar se ousasse…

Mas, depois, esperou
Que da loucura pudesse aos poucos se distanciar
E, depois, conquistou
que a certeza ensinasse o segredo de poder voltar

Depois da tormenta (2x)

Depois da tormenta, o céu e a dor
Depois da tormenta, nada mais restou

 


QUANDO A CHAMA FAZ ARDER

No raiar da manhã não há mais a tormenta
Tudo é passado presente outra vez
A espera prossegue, a alma se recompõe
A brisa afaga as marcas da noite

E me exigem fé e franca devoção

Como um raio que surge aborda a indagação
respondendo aos apelos da dor
que propaga sua exacerbação
e antecede pranto e clamor

Será que Deus exige o âmago e a paixão?
Será que Ele extirpa a mente e o coração?

Quando a chama faz arder
essa dor me faz tecer
este negro manto de sabedoria atroz
A paixão que envolve o meu sentimento
desemboca na razão de uma euforia
Vive o sentimento…

Quando cai a nova noite
nada que houve deve restar
O sangue deve pulsar calmo
A mente sana vai governar

E explode a ardente chama, queima a emoção…
Quando me deparo estou sedento em rebelião!

Já passados tantos ciclos e tantas convulsões
E tudo não passa de ser o que sempre foi
Os valores extintos, as pedras na mão
Vem depois o ataque e a conspiração!

 


POR QUE DEVERIA SABER…

Sofrendo em lágrimas anseios no peito…
Serão tributos de uma era esquecida?
Será a razão de algo oculto que tarda chegar?
Meus elementos são os mesmos de antes…
Minhas funções não se encerram com a morte…
E haverá p’ra sempre a chama que arde a esperar

E meu sofrimento…
tão vivo do ardente querer
suplica e em vão vou temendo
em vão vou temendo…
e não compreendo…

Em todos os cantos eu busquei o saber
quis os segredos e o poder do universo
encontrei o silêncio e me fez despertar:
nem mesmo a verdade revelada
libertaria a essência em meu ser,
em teu ser, sem compreender
por que deveria saber

Sobre uma face cansada de prantos
o orvalho repousa, é raiar da manhã
um novo tempo que surge criando uma nova razão
e ela se perpetuará,
mas ainda falta crescer…

(Inspirado em “Gotas d’Água” de Danilo S. ‘In Concert’ Noronha)

 


O SEGREDO DA DOR

O Silêncio é capaz de fazer-se ouvir
quando a espera é voraz e a dor faz sentir
quando o grito é fatal e ameaça explodir

Arriscando perder-se ele ousou crer
no que foi incapaz de poder compreender
e que quase gerou sua destruição

(Bis) Brilham olhos no breu da noite À espera de encontrar
o espelho da própria verdade
em um outro olhar…

o Segredo da Dor

Seu intelecto procurou encontrar
outra forma de ser , de poder avançar
mas o frio penetrou trouxe envolta a paixão

Sem ter como conter, ou poder conformar
Sem poder entender ou querer aceitar
à sede foi ter sem ter onde chegar (bis)

Pensou ser forte querendo a Morte
e em algum dia não mais retornar
Mas quem é forte não tem a Morte
aos pés no leito
e sempre não teme o que vai enfrentar

 


PRÍNCIPES DA GRANDE FALÁCIA

Às margens de um profundo rio
se ergue imponente palácio
Que abriga os filhos dos reis
Os príncipes da grande falácia

Aqueles que ali os contemplam
E que sucumbem às reais exigências
Suplicam sem mais compreender
E invocam soberanas presenças

Os nobres que habitam o palácio
Acometidos de uma enfermidade
Constróem seu reino voraz
Imbuídos de senil vaidade

No encalço de inspirar a justiça
que não habita em seu palácio real
Propagam-se guardiães de seu povo
Os herdeiros de um respeito ancestral

Ordenados pela sacra tradição
Enaltecidos pelos ritos que evocam diferença
Seduzidos por Poder sem compreender
Aboliram a igualdade na humana consciência

Preferindo infligir o terror
a dar luz de uma sábia certeza
Preferindo o temor em quaisquer condições
por manter a destreza

Por uma grande falácia…
Cruel e imponente falácia…
Príncipes da Grande Falácia!

 


LIBERTAE

“Venham a mim os exaustos, os pobres;
as massas perdidas ansiando por respirar livres;
o refugo maldito de vossa costa pródiga.
Mandem-me esses sem-abrigo
bafejados pela tempestade
Que eu ergo a minha tocha
ao lado do portal dourado”
(Emma Lazarus)

O ouro e sua nobreza transformam o puro na alma
Invadem seus pensamentos e o arrastam ao inesperado

O ouro e sua nobreza invocam o ser endeusado
Corrompem seus ideais e destroem a busca almejada

A glória e seus fundamentos iludem os vis e traídos
O brilho que só alimenta aqueles com olhos feridos
A glória e seus fundamentos escrevem o seu sacrifício
Criando uma falsa memória
Forjando o nascer de outra história

Querendo em tudo poder
Sem algo mais conceber
Querendo em tudo poder

Refrão
Liberdade, eu suplico não me deixes mais
Liberdade, eu suplico p’ra viver em paz
Liberdade, eu suplico não me deixes mais
ou não vou morrer em paz

O ópio e suas roupagens arrebatam os mais destemidos
Humilham qualquer consciência e revelam miséria e castigo
O ópio e suas roupagens são caminhos já conhecidos
E a batalha que ocorrerá não deixará iludidos

Revolto em meus pensamentos
Desvio do medo de não suportar
Revolto em meus pensamentos
Desvio da sombra que me quer parar

(solo e refrão)

 


LUZ

Se esconderam às sombras
quando se fez revelar
E escapando à presença
evitaram ousar

Temem que possa seduzir
Temem que possa transformar
Temem que possa conduzir a outro lugar
e então revelar

Tomando os segredos
que sempre tentam ocultar
Mostrando as verdades
que não conseguem encarar

O medo trouxe a submissão
Que acorrentou a ilusão
De levantar em meio à tola multidão
Alguém que já não vê nenhuma distinção
Alguém que apenas vê em uma direção
Em uma direção…

Teus olhos cegam à Luz
teus passos necessitam compreender
que não há lugar para a fuga
A Luz também traz paixão
tão forte como a redenção de estar perdido
e aprisionado pela dor (solo)

(Teus olhos cegam à Luz…pela dor)
(Temem que possa seduzir…)

 


NO SUL DA AMÉRICA ANTÁRTIDA

No Sul da América Antártida
aos pés de um gigante reino de ilusões
O Céu e o Inferno vivem juntos
dividindo uma outra nação
pela mais bela paixão e ternura
e pelo monstro sanguinário da intolerância

No Sul da América Antártida
vivem mães amarguradas em uma procissão
foram excomungadas
pelos criadores de uma conspiração
que atemorizava pela “mão de ferro”
de psicopatas travestidos pela Instituição

Vi fundamentos chamarem de mentira e subversão
e falsas verdades vi aplaudidas pela multidão

Eu vi o centro da praça
e minhas lágrimas não puderam conter-se
os retratos, as faces, os lenços
tudo fez-me implodir
Agora sei… não há como não estar perplexo:
Corre a ameaça e tudo pode ressurgir

E quantos filhos mais perseguirão?
A intolerância sem compaixão
Já fez da nação suicida