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Quem nunca ouviu falar mais especificamente sobre o metal gaúcho, não saberá que a banda Spartacus foi uma das primeiras bandas a surgir no estado em meio aos anos 80. A banda que tem como característica o heavy tradicional com letras em português, ficou parada por 8 anos, e em 2000 voltaram a ativa já com o planejamento do lançamento do primeiro cd. Conversamos com o fundador da banda, Marco di Martino (baixista), que nos contou mais sobre toda a carreira dele ao lado do Spartacus.

BRAZIL METAL: Primeiramente, como foi a idéia de “batismo” da banda com o nome de Spartacus.
MARCO: Em janeiro de 1985, fui convidado p’ra remontar uma banda chamada “Pesadelo”. Disse que toparia, desde que o nome fosse outro. Inicialmente eramos um power-trio, buscando membros para completar a banda. O guitarrista (Miguel – que posteriormente integrou a banda Atraque) teve a idéia do nome e o batera (Alexandre Barea – que mais tarde integraria a banda Cascaveletes) achou muito interessante e sugeriu. Topei.

BRAZIL METAL: Conte-nos mais um pouco da história da banda, especialmente como tudo começou lá nos anos 80′.
MARCO: Recém havia retornado da festa do cursinho vestibular… todo pintado. Tocou o telefone. Era um cara que queria ser o produtor da Pesadelo dizendo que Eduardo Urso do Astaroth (a banda de Heavy Metal mais importante do RS nos anos 80) havia me recomendado. O power trio durou três meses. O pessoal decidiu que o negócio deles era mesmo o thrash metal da Pesadelo. Spartacus existiria para ser uma banda de heavy tradicional. Fui procurado pelo guitarrista Ricardo “Malcolm” Aronne depois disso que se entusiasmou com o projeto e queria colocar Spartacus em prática. Rolamos um som com uma dupla – o guitarrista César Proença e o baterista Ronaldo Gonçalves – que estava insistindo para que tocássemos juntos. Confesso que não levava fé em ninguém ali. Estava enganado. Logo ao começarmos a rolar Battle Hymn do Manowar percebi que a coisa funcionava. Só faltava o vocal – Marco Canto – que chegaria pouco antes da gravação da coletânea que nos lançou: Rock Garagem II.

BRAZIL METAL: As letras da banda sempre foram em português, ou vocês já tiveram alguma música em inglês?
MARCO: A proposta da banda sempre foi em língua portuguesa. Queremos que as pessoas para as quais tocamos possam entender e sentir na hora o que dizemos, sem ter que ir a um dicionário bilíngüe… Temos alguma coisa em inglês para o caso de algum lançamento em países onde o inglês seja língua popular. Mas isso seria depois de muita coisa…

BRAZIL METAL: Como está o nome do Spartacus dentro da cena gaúcha de metal? E fora do estado, vocês possuem algum reconhecimento?
MARCO: Aqui no Rio Grande do Sul, quem conhece heavy metal gaúcho geralmente já ouviu falar de Spartacus, principalmente o público mais antigo (isso vale também para a Imprensa). O nome geralmente é associado a uma boa crítica. A verdade é que fizemos (e continuamos a fazer) parte da história do estilo aqui no RS. A coletânea Rock Soldiers VI está levando nossa música também para outros estados, visto que é uma coletânea que possui bandas de muitas regiões brasileiras. Em Manaus, por exemplo, o pessoal anda pedindo bastante para que a rádio Fm do Povo rode o tema que gravamos na coletânea. Porém, ainda não começamos a divulgação de Spartacus fora do RS. Isso virá depois do CD.

BRAZIL METAL: Fora do Brasil, o nome Spartacus já foi divulgado por exemplo no Japão, EUA ou Europa?
MARCO: Não nos esforçamos ainda para isso. Entendo que essa seja outra etapa. Spartacus pretende fazer as coisas de dentro para fora, ou melhor, de próximo para distante. Após o CD tudo ficará mais claro. A maior probabilidade é a de tocarmos em Buenos Aires, dado o interesse de alguns produtores de lá. Devido a minhas andanças naquele país, tive algumas entrevistas em fanzines que já me renderam contatos com Cuba ou Espanha. O pessoal da Argentina já prestigiou várias vezes o trabalho de Spartacus nas diversas ocasiões em que fui entrevistado e que rodaram nossos temas por rádios locais.

BRAZIL METAL: A banda que vem formada a mais de 15 anos nunca lançou um cd. Fale-nos sobre as coletênas que a banda vem participando.
MARCO: A banda começou em 1985 e terminou em 1992, retornando em 2000. Portanto, não teve nada parecido com 15 anos de estrada. Em 1985, quando começou, teve o impulso da coletânea Rock Garagem II (relançada como CD em 1999) que tinha bandas de vários estilos do rock e uma divulgação considerável no RS. Houve muitos problemas de formação após isso e momentos de altos e baixos. Tivemos uma matéria de duas páginas coloridas pela revista Metal nº 45 em 1988 e um show memorável no final do mesmo ano em POA. Com a última formação, antes da separação em 1992, chegamos a gravar alguma coisa para um lançamento que não saiu, pois nem a banda e nem a gravação deram o resultado esperado. Hoje em dia, dada a nova realidade em que Spartacus se insere (formação, vidas mais definidas, advento do CD, Internet, etc.) as coisas vêm se realizando. Estamos na abertura da coletânea Rock Soldiers VI lançada em agosto último e que tem bandas de todo o país. Fomos selecionados entre as 10 melhores de 270 bandas de diversos estilos de rock em um festival que resultará em CD no final deste ano – o Good Music Rock Festival. O evento teve a apresentação das bandas classificadas na casa de shows mais importante do RS, o Opinião. E o principal: a banda tem data marcada para o início da gravação do CD exclusivo e oficial.

BRAZIL METAL: Este cd que está sendo gravado, já tem alguma informação que possa ser adiantada?
MARCO: A idéia é não fazê-lo longo. Que gire em torno de oito ou nove músicas. Produção que possibilite um preço bastante acessível e uma popularidade garantida. O estúdio será o mesmo em que a Hangar gravou o primeiro disco e terá também a participação do mesmo técnico.

BRAZIL METAL: A formação do Spartacus sempre foi a mesma, ou vocês já passaram por mudanças de formação?
MARCO: Esta pergunta começou a ser respondida na pergunta 6. O troca-troca na formação foi o responsável pela ausência de material da banda no mercado. O que se pode dizer de bom é que as formações de Spartacus tiveram gente muito boa e que já fez ou faz história no metal nacional. Veja o caso do Ivan Zukauskas que tocou conosco em 1990, ele foi guitarrista do Astaroth, uma banda importantíssima no metal gaúcho; ou o caso do Aquiles Priester que tocou conosco na última formação antes da parada em 1992 e que hoje toca no Angra. Nossa formação atual conta comigo, Marco Di Martino no baixo/letras, Marco Canto nos vocais, Erick Lisboa na bateria e Marcelo Riccardi nas guitarras. A música Luz é da época do guitarrista Victor Petroscki que deixou a banda para viver nos EUA por um tempo.

BRAZIL METAL: As duas músicas que a banda vem trabalhando atualmente são Luz e Depois da Tormenta. O que vocês gostariam de dizer destas músicas para os fãs?
MARCO: Luz é um tema que trata da estupidez das pessoas. Do medo de conhecer as coisas. Da acomodação que constrói medíocres. Luz trata do problema da difícil aceitação da verdade. As pessoas tentam fugir, mas muitas vezes não há escapatória. Musicalmente ela tem a ver com o estilo de uma banda que gosto muito e que quase ninguém conhece: Titan Force. Ex-banda do vocalista do Jag Panzer na virada dos anos 80 para os 90. Depois da Tormenta versa sobre conseguir montar tudo, depois de ter perdido tudo. Tem a ver com a recuperação de Spartacus. Musicalmente penso que tem a ver com Dio e com coisas líricas do estilo.

BRAZIL METAL: Como estão sendo os shows do Spartacus? Além de Porto Alegre, vocês planejam shows para outras cidades e estados?
MARCO: Apesar de sermos considerados “diferentes” a receptividade do público para com nossa proposta aqui em Porto Alegre tem sido boa. Estivemos pelo interior, chegando na fronteira com a Argentina. Foi muito legal. As pessoas tem curtido bastante. Agora estamos mais concentrados na gravação do disco. Após isso, virá a etapa da divulgação do CD. Aí, vamos cair p’ra valer na marcação de shows em todos os lugares possíveis, dentro e fora do RS.

BRAZIL METAL: Qual é o estilo que vocês acham que o som do Spartacus se encaixa melhor: hard rock ou heavy metal tradicional?
MARCO: Acho que no nosso caso seria um heavy metal tradicional com um temperinho hard que as vezes é maior outras vezes é menor.

BRAZIL METAL: O que vocês acham da atual cena de metal no Brasil? E qual a opinião sobre a do nosso estado?
MARCO: Vou te pedir desculpas e confessar que conheço pouquíssimo do que rola no resto do país. O aumento das atribulações na vida da gente muitas vezes faz com que tenhamos que abrir mão de algumas coisas para podermos fazer outras. No meu caso, muita coisa tem ficado p’ra trás. Não vivo do rock e sim para o rock e isso custa caro…Trabalho muito p’ra pagar o preço. Confesso que me abate muito o fato de não conhecer ou ouvir falar de outras bandas de metal tradicional em língua portuguesa dentro do Brasil. Há muitas bandas boas por aqui. Volta-e-meia a gente se depara com alguma banda que nunca ouviu antes e que é um arraso sonoro. Mas observo que o pessoal anda muito interessado em viajar p’ra fora e fazer música p’ra quem não mora aqui. Não tenho visto as bandas falarem em conquistar o país e mudar a cena musical local. A gente nota isso já na escolha da língua…

BRAZIL METAL: Boa sorte a este cd que deverá vir para arrasar. Deixe uma mensagem para os visitantes do site Brazil Metal Law.
MARCO: Pessoal, continuem prestigiando o Brazil Metal Law! É ótimo poder ter alguém escrevendo sobre aquilo que move a vida da gente: o rock na verdadeira expressão da palavra – heavy metal. Spartacus agradece bastante a oportunidade de poder divulgar sua proposta por aqui. Aguardem novas.