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Num infindável bate-papo, a história e o futuro da banda de Metal mais antiga ainda em atividade no Rio Grande.

Por Ulisses Costa

O caro leitor tem tempo? Caso sim, vá em frente. Esta é a entrevista mais longa da história do HeavyRS. Tão longa que, por motivos de espaço no site, tivemos que cortar alguns pedaços fora. Há motivos para esta amplitude. A Spartacus é, hoje, a mais longeva banda do Estado, fazendo seu aniversário de 20 anos de fundação (com paradas e retomadas) exatamente neste ano de 2005. Ou seja, o conjunto viu passar fases importantes do Metal gaúcho e viveu num tempo radicalmente diferente do que presenciamos hoje. Não é para menos que o baixista Marco Di Martino, mentor do grupo, tem muita coisa para falar – e isso sem contar a polêmica das suas letras serem escritas em português desde o início da carreira (coisa que, até alguns anos atrás, era quase heresia). Portanto, esta não é só uma entrevista: é um levantamento histórico e também um grande debate sobre o Heavy latino-americano.

Pois Marco conversou sobre tudo e mais um pouco: do (extenso, muito extenso) passado da Spartacus, do recente debut, Libertae, da sua opinião sobre fazer letras em português, do cenário metálico argentino e gaúcho, de quando tocaram “forró” em um show lá pros lados do Alegrete e do gênio forte de um ex-integrante chamado Aquiles Priester – sim, aquele baterista que hoje toca naquela banda… Qual é mesmo o nome… Ah, claro, Angra. Para arrematar, comentou a atual situação do seu grupo, com as baixas de dois integrantes (Victor Petroski e Erick Lisboa) e garante: a banda não acabou e vem mais coisa por aí. Chega de papo. Não adianta enrolar o que já é grande. Relaxe e goze:

HeavyRS – A Spartacus foi formada há exatos 20 anos em Porto Alegre, o que dá à banda o privilégio de ter vivido em épocas bem diferentes para o Heavy Metal. A primeira pergunta tem a ver com esta experiência: quais as diferenças entre o cenário gaúcho dos anos 80 e o cenário do Séc. XXI?

Marco Di Martino – Investir em Rock em 1985 era novidade. Bandas gaúchas sendo lançadas em vinil e tocando no rádio também. A platéia era bem mais interessada do que hoje, era mais uniforme em razão do Rock e do Pop não estarem tão fragmentados e acompanhava a efervescência do momento. Por outro lado, havia um número bem menor de bandas do que hoje em dia, os lançamentos eram muito difíceis, pois não havia CD, e quase ninguém sabia gravar Rock. Gravar era bem mais complicado e caro: era tudo analógico. Hoje, temos tudo isso que eu comentei acima ao contrário. Há aspectos positivos e negativos…

HeavyRS – Apesar de terem iniciado há tanto tempo a banda, vocês pararam as atividades no início dos anos 90, só retomando vários anos depois. O quer aconteceu para a Spartacus ter parado e o que possibilitou a reorganização da banda?

Marco Di Martino – Nosso line-up de 1991 era uma idéia interessante, com gente interessada, mas musicalmente não respondeu a nossas expectativas. A Demo 1991 e os shows não tiveram o resultado esperado. No começo de 1992, estávamos com problemas de unidade dentro do grupo e sem a harmonia desejada para poder resolvê-los em comum acordo. Como sou idealizador do projeto Spartacus e estava com minha vida ainda por definir-se do ponto de vista estrutural (emprego e universidade), somei as coisas e expus que não podia continuar o projeto. Anos depois, já com os problemas estruturais em fase de solução, e encorajado por um pessoal diferente que queria rearmar a banda, comecei a arquitetar o retorno.

HeavyRS – Uma pergunta inevitável: até o lançamento recente do primeiro álbum, Libertae, os únicos registros sonoros do trabalho de vocês são as coletâneas Rock Garagem II, Rock Soldiers Vol. 6 e Good Music Rock Festival. Por que demoraram tanto para lançar um álbum? E por que não fizeram uma demo nestes anos todos?

Marco Di Martino – Fazer demos através de CD, hoje em dia é fácil, mas a partir de fitas cassete, como nos anos 80 e começo dos 90, era complicado, perdia-se qualidade demais. Tivemos períodos que tiveram suas demos sim, mas cumpriam estritamente o papel de demos, eram unicamente promocionais. Não as comercializávamos, pois tínhamos um padrão de exigência rígido que nem sempre as demos satisfaziam e a falta de estabilidade na formação da Spartacus impossibilitava qualquer passo além. A gente explica isso no encarte do Libertae. Um registro de demo nossa pode ser conferido em crítica pela Rock Brigade ainda nos anos 80, vide link Histórico de nosso site.

HeavyRS – Recentemente, o batera Erick Lisboa e o guitarrista Victor Petroscki anunciaram que estavam fora da Spartacus e que isso estava acertado desde o lançamento de Libertae. Mesmo assim, a divulgação do CD não foi interrompida. Qual a situação da Spartacus hoje? O que podemos esperar no futuro?

Marco Di Martino – Antes de mais nada, gostaria de comentar que o Erick e o Victor já saíram da banda e voltaram em outras oportunidades sem que eu ou o Canto (Marco do Canto, vocalista) ficássemos sabendo. Claro que onde há fumaça há fogo: o Victor tinha viagem programada para retornar aos EUA desde o ano passado. Contudo, este ano a coisa passou do certo para o incerto: ele pode viajar a qualquer momento. Quanto ao Erick, ele sempre teve um projeto paralelo com a noiva que agora anda pendurado. Fora isso, ele começou a tocar também com gente da Hard Working Band. Nosso trato era fazer o CD, seu show de lançamento e mais alguma coisa. Fizemos. Depois, em função de questões pessoais, tanto Victor quanto Erick poderiam ou não voltar a atuar pela Spartacus. Assim, estamos sondando gente para o caso da ausência deles acabar sendo permanente. Uma vez tenhamos isso definido, continuaremos a divulgar o Libertae nos shows e estudaremos o repertório que integrará o próximo CD. Músicas e gente para pôr isso em prática não faltam.

HeavyRS – Algum problema com o fato das letras do disco serem em português? Tem gente que reclama? Ou isso trabalha como diferencial?

Marco Di Martino – Por incrível que pareça ao cantarmos em nosso próprio idioma somos considerados extravagantes! Parece piada de português, com personagens brasileiros… Eu me sinto como se estivesse no Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, sendo considerado pervertido por querer fazer algo absolutamente natural. É claro, acaba sendo diferencial… Sim, enfrentamos preconceito de grande parte do público brasileiro de Metal. A maioria muda de idéia quando nos escuta. Só que até o pessoal constatar que focinho de porco não é tomada, rola uma boa discussão. Claro que se a pessoa decide que não vai achar nosso som legal antes de escutar, não adianta nem conhecer. Acredito que a raiz da questão esteja no fato de que a referência de bandas de Heavy Metal que cantam em português vem dos anos 80, uma época em que se estava apenas começando a trabalhar com Heavy no Brasil – tanto técnica quanto artisticamente. Em cima disso, temos o fato de que Heavy Metal Rock requer um certo critério para escrever (assim como para gravar) que a maioria das bandas e produtores da época não levou em consideração quando lançou a versão tupiniquim do gênero no país. Resultado: queimou o filme e não colou.

HeavyRS – Esta questão de em qual língua cantar, em inglês ou no idioma natal, foi muito debatida no cenário da América Latina na época que a Spartacus surgiu. Na Argentina, o espanhol venceu – vide-se bandas como Rata Blanca. Já no Brasil, prevaleceu o inglês. Como vocês vivenciaram esta discussão? Imagino que, por serem defensores ferrenhos do português, vocês tenham se envolvido em alguns “bate-bocas” sobre o assunto…

Marco Di Martino – Na Argentina há uma tradição de Rock bem mais forte do que no Brasil. Lá o Rock pesado é popular no pulmão cultural daquele país – Buenos Aires. O desnível educacional entre as pessoas é bem menor também. De modo geral, se lê mais do que aqui. Conseqüentemente, há mais informação, as pessoas discutem mais, e os posicionamentos são mais valorizados também. As pessoas têm uma noção de que devem influenciar dentro de seu país e, portanto, cantam em seu próprio idioma. Logo, se alguma banda fizer Rock em inglês na Argentina, terá um respaldo sim, mas será mínimo, impulsionado pelo exemplo do êxito internacional das bandas brasileiras que cantam em inglês. Mesmo assim, o Rata Blanca também é exemplo de êxito internacional e canta em espanhol… Desavenças em relação a essa diferença com as bandas locais não têm acontecido. Todo mundo canta em inglês no Heavy local e nunca tivemos nenhuma guerra, pelo menos declarada, por não adotarmos essa postura. De nosso lado, longe estaria forçarmos as bandas a fazer as coisas como nós fazemos. Isso é uma visão particular de cada banda e um direito de escolha. Sempre quisemos soar de forma natural, como as bandas de fora que escutávamos soavam. Mas uma coisa é ter influência e outra é querer ser igual sacrificando o que torna a gente diferente. Spartacus sempre teve influências, mas sempre soube distinguir entre o que é seu e o que é dos outros. Eu não comporia em português se estivesse morando com a banda nos EUA. Se estivesse vivendo em Buenos Aires, faria tudo em castelhano. No Brasil, nós não poderíamos cantar em uma língua que não fosse o português, e ainda assim estamos conscientes de que muita gente não entende o que a gente quer dizer.

HeavyRS – Vamos falar um pouco sobre o disco. Neste tempo todo de estrada, creio que tu, Marco, compuseste muita coisa e, ouvindo o CD, dá para perceber que umas músicas parecem ser mais modernas, mais maduras, enquanto outras parecem ser mais “ancestrais”, por assim dizer. Qual é a música mais antiga e a mais recente que aparecem em Libertae? Houve faixas que vocês gravaram e que ficaram de fora?

Marco Di Martino – É, tu tens razão, o CD comporta músicas de épocas diferentes. “Porque Deveria Saber” parece ser mais velha, mas não é. “Seguidores da Eternidade” é o tema mais antigo, apesar de ser daqueles temas que não parecem envelhecer nunca. Ele foi trazido e adaptado de uma banda meteórica que eu tive um ano antes da Spartacus e que nunca chegou a se apresentar, a Liga Metálica. O cara que compôs o projeto original da música chama-se Lauro Levandovski, mas eu acabei remodelando e reestruturando coisas, rescrevendo a letra e passando a ser co-autor do tema. Hoje, o Lauro toca na Thomas Butterfly que nada tem a ver com a gente. O tema mais novo é o “Libertae”, que mostra bem o direcionamento que estamos tomando. Já entramos no estúdio com o número de músicas definidas para aquele momento. Não há músicas que ficaram de fora. Há versões diferentes que não colocamos.

HeavyRS – Há previsão de divulgar Libertae fora do Brasil?

Marco Di Martino – Antes de ir a São Paulo eu já havia ido a Buenos Aires. Quem está lá já pode adquirir o Libertae na loja e selo Volumen 4, que é nosso distribuidor lá. Estou acertando envio de material nosso, inclusive vinil, para Alemanha. O responsável pelo site www.metaleros.de (página alemã especializada em Heavy Metal latino-americano) que adorou nosso trabalho. O problema é que a banda não tem produtor e nem pessoas responsáveis por seus negócios além de mim, o que faz com que as coisas andem muito devagar.

HeavyRS – Percebe-se que os temas das músicas de Libertae às vezes tendem para uma crítica política e social. Falar nisso é um trabalho complicado. Como tu fazes para que as letras não caiam no panfletário, no manifesto de esquerda puro e simples?

Marco Di Martino – Acredito que o Rock tenha que tender para o anárquico. É música de desconfiança social… Ou seja, não poderia recomendar poder na mão desse ou daquele. Partidos políticos foram as formas de articulação encontradas para organizar nossa sociedade, mas infelizmente eles não vêm sendo confiáveis ao longo da história. No final de tudo, todo mundo é parecido. A gente busca fugir de identificações desse tipo. Em se tratando da forma como as letras surgem, os objetivos não são previamente determinados. Algo do tipo: essa música vai falar disso e esta outra daquilo. Eu até que gostaria, pois seria mais prático, mas depende da frase que brotar. A partir daí, o sentido e o contexto começam a se delinear. Infelizmente nosso processo de composição das letras vem com inspiração e isso não é prático. Ossos do ofício. As letras trazem uma percepção de mundo e devem combinar com a música, caso contrário incorre-se no perigo do ridículo.

HeavyRS – Na parte instrumental, me causou forte impressão a sofisticação da guitarra, além do conjunto em si, que consegue fazer um som muito bem trampado. Tu não achas que, de tão aprimoradas que soam as músicas, dizer que vocês tocam Heavy Tradicional não é simplificar um pouco as coisas? Eu pergunto porque este é o rótulo que vocês utilizam para classificar a estética da Spartacus quando alguém faz aquele questionamento do tipo “mas o que que vocês tocam mesmo?”.

Marco Di Martino – O projeto da Spartacus é para fazer Rock pesado (gosto de dizer Rock’n’ Roll) com uma certa característica. Se as pessoas quiserem colocar outras definições, tudo bem, contanto que não nos deixem de chamar de Rock. O dia em que alguém disser que Spartacus não é Rock vai dar briga. Esta sofisticação instrumental a que tu te referes é o caldo que cada músico que participa da banda cria. Não é algo da proposta ter sofisticação, mas isso é bem-vindo quando ajuda a deixar o trabalho nos moldes pretendidos, como foi o caso.

HeavyRS – Vocês já se apresentaram em locais tão distintos como o Acampamento da Juventude numa das edições do Fórum Social Mundial e o agora desativado Teatro do Armindão, em São Leopoldo. Qual foi o show mais estranho que vocês já fizeram?

Marco Di Martino – Bah, da minha parte foi em 1988, em Tapes, em um tal de Salão Paroquial. A Gladiator (um dos primeiros expoentes do Metal Extremo gaúcho), que anos mais tarde lançaria disco, estava junto. Isso chegou a me render uma demo legal que desapareceu e duas redações para faculdade, uma delas em inglês. O nosso guitarrista da época, o Márcio Massa, perdeu as botas literalmente falando. Musicalmente, para nós foi incrível, porque o público nos adorou e era a primeira vez que assistiam a uma banda de Heavy Rock. Não sei se a Gladiator opinaria da mesma maneira (risos)… Nunca comi um arroz-com-galinha tão muquirana. Nos apresentamos com o nome de Banda Rock Garagem II, para não queimar o filme na cidade, que teria vindo de São Paulo (risos)… Zorra total. Mais recentemente, em 2001, acho que um show estranho foi em Alegrete. O cara que nos levou teve ótima iniciativa, mas parte do público não queria ver bandas tocarem. Era uma discoteca, um lugar careta. Em certa altura do show, alguns começaram a pedir que a gente tocasse um forró. A gente disse que tocaria um. De forma enfurecida, lascamos “Quando A Chama Faz Arder”, quarta música do nosso CD (risos). Depois dissemos para eles que aquele era o nosso forró…

HeavyRS – Alguns músicos famosos já passaram pela Spartacus. Um dos bateristas, por exemplo, foi ninguém menos que Aquiles Priester, que hoje toca no Angra e tem renome internacional no meio Heavy Metal. Outro é Alexandre Barea, que integrou os Cascaveletes. Isso não ajudou a abrir mais portas para vocês?

Marco Di Martino – A simples menção do nome desses ex-integrantes provoca interesse, principalmente o do Aquiles, em função da projeção que ele vem tendo desde que entrou para o Angra. Além do Aquiles e do Barea, também tivemos o Ivan Zukauskas que nos anos oitenta integrava o Astaroth, o ponta-de-lança do Rock pesado gaúcho naquela época; e, mais recentemente, o nosso ex-vocal, o Ângelo Primon, que vem se destacando no campo da música instrumental. Para nós tudo isso acrescenta. Qualquer associação envolvendo nomes que representem qualidade traz inegavelmente benefícios para imagem da banda e fazem-na mais digna de atenção.

HeavyRS – O Aquiles Priester tem fama de ser um cara meio fechado, de pouca conversa. Uns dizem que ele é arrogante mesmo. Isso confere na relação de vocês enquanto ele tocava na banda?

Marco Di Martino – É um cara de gênio forte. Acho que isso é ponto pacífico. Chegava a conversar com ele sobre isso quando ele ainda estava na banda e ele admitia. Da pouca conversa me falaram lá em Buenos Aires há algum tempo, mas isso não confere com a convivência que ele tinha com a gente, basta ver o que temos registrado em entrevistas da época (rádio, televisão e bastidores). No caminho da conquista, muitas vezes entramos em choque com as adversidades. Cada um de nós tem sua forma de vencer as dificuldades, mas essa forma de vencê-las, por “n” fatores, nem sempre agrada aos demais. Eu e o Aquiles, por exemplo, somos totalmente diferentes na maneira de conceber certas coisas. Sempre fui simpatizante da estética e pensamento da contracultura de começos dos 70, por exemplo, coisas que naquela época soavam estranhas dentro do universo que o Aquiles queria conceber.

HeavyRS – Apesar do passado de vocês render muitos temas para a gente conversar, é importante frisar que vocês visualizam um futuro para a banda. Quais são os planos daqui por diante para a banda e para a divulgação de Libertae? Há alguma turnê sendo planejada?

Marco Di Martino – Estamos ainda em fase de divulgação do CD, as matérias ainda não saíram em revistas e o CD não está devidamente distribuído. Acredito que, após isso, poderemos ter alguma posição sobre o que pode ou não acontecer. De qualquer forma, como disse antes, não há, no presente momento, produtores envolvidos conosco.

HeavyRS – Para finalizar (ufa!), deixa aqui o teu recado para o público headbanger gaúcho.

Marco Di Martino – Muito obrigado por terem lido a entrevista e espero poder encontrá-los em algum show por aí. Esperamos que a entrevista possa incentivá-los a adquirir nosso CD e que o mesmo esteja no padrão dos apreciadores do bom Rock que visitam este site. Gente, não esqueçamos que, embora muitos queiram, Heavy Metal não é moda. Não é passageiro. É Rock ‘n’ Roll na quintessência tocado de uma maneira que a gente não pode abrir mão. Se não dá dinheiro, foda-se!! Não é por isso que a gente toca em banda de Heavy Rock. Se for, caiam fora!! Se a gravadora não quiser, azar é dela!! Se não dá para conseguir grana tocando, trabalharemos em outra coisa para botar a coisa de pé. Rock é sagrado, principalmente se for de aço. A gente não profana, cultua. Seria muito legal se a gente pudesse apurar o senso crítico e se ligar para não acabar entrando no embalo de gente empreendedora que quer que tudo seja mercadoria antes de qualquer coisa. Vamos conceber um mundo melhor e verdadeiro. Long Live Rock’n’ Roll!!! Death to the false Metal!! www.spartacus.mus.br.

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